Corpos Sociais para o Triénio 2023-2025

Eleitos na Assembleia Geral de 30/05/2023

 

 

Mesa da Assembleia Geral

Presidente – Frederico Alarcão Albuquerque Perry Vidal

Secretário – Maria Inês Araújo Sousa e Silva

 

 

Direcção

Presidente – João Maria Jonet da Silva Bruschy

Secretário – João Amaro Gagliardini Graça Girão

Tesoureiro – Maria do Carmo Pinto d’Abreu

Suplente – Pedro Miguel Castel-Branco Osório Borges

 


Conselho Fiscal

Presidente – Luís Miguel Magalhães da Mota Sottomayor

Vogal – Maria Teresa Amorim Simões Correia

Vogal - Paulo Casimiro Braga Carteado Mena

Suplente – André Manuel Costa Machado

 

História da Foste Visitar-me

1991  
Com o apoio do Padre Vasco Pinto Magalhães sj e persistência do Paulo Frois, o GAS Prisões iniciou as visitas a reclusos do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo
     
1995   O Carlos Coelho juntou-se a este grupo de visitadores. Passado pouco tempo, ficou sem companhia mas não abandonou a actividade que passou a dar sentido à sua vida. Foram cinco anos em que assegurou, sozinho, as visitas a Santa Cruz do Bispo, especialmente à clínica psiquiátrica. Ele chamou a esta fase “a sua vida oculta”
     
2000   Por desafio do Padre Gonçalo Eiró sj, começaram a entrar novos visitadores, Primeiro foi o José Maria Soares Franco que, depois de uma conversa profunda com o Carlos Coelho, o começou a acompanhar em Outubro desse ano.
     
2001   Com intervalo de poucos meses relativamente à entrada do José Maria Soares Franco, deram início à sua actividade de visitadores a Ana Azevedo e o Domingos Sousa Coutinho. Passou, então, a haver um grupo, como o Carlos tanto desejara. Foi neste ano que se começou a ponderar a hipótese da formação de uma associação de visitadores, que resultou de conversas entre os três visitadores, na sequência de uma visita à Pastoral Penitenciária de Vigo
     
2002   O grupo aumentou com a entrada de novos visitadores como o Sérgio Almeida, a Mariana Abreu, a Maria José Lencastre, etc
     
2003   O Padre António Júlio Trigueiros foi nomeado director do Centro de Reflexão Universitária – Inácio de Loyolla (Creu-IL)

Iniciaram-se visitas ao Estabelecimento Prisional de Custoias. Um grupo visitava a ala feminina e o Domingos Sousa Coutinho visitava, sozinho, a Unidade Livre de Droga da cadeia masculina

Realizou-se a primeira reunião formal para estudar a hipótese de constituição de uma associação de visitadores; foi escolhido o nome da futura associação: Circulo Mateus 25-36, inspirado no versículo do Evangelho de S. Mateus, “estive preso e foste visitar-me”. Foi decidido que a associação não teria grandes meios nem estrutura, e que o fundamental seria visitar e servir. Era desejo do Carlos Coelho que a associação a constituir fosse uma associação canónica de leigos, ligada à Companhia de Jesus, com o estatuto de associação pública de leigos. Considerou-se a importância de existir uma associação legalmente constituída como um passo necessário ao seu reconhecimento por parte da sociedade e da Igreja
     
2005   Em Janeiro foi Inaugurada a cadeia feminina de Santa Cruz do Bispo e consequentemente as visitadoras que visitavam a ala feminina do EPP em Custoias, entretanto fechada, deram início às visitas no Estabelecimento Prisional Especial de Santa Cruz do Bispo

Com o apoio decisivo do Padre António Júlio Trigueiros sj continuou o processo de constituição legal da associação.
     
2006   Foram escolhidos os membros dos primeiros corpos sociais da futura Associação. 

Por já existir uma associação com o nome de Mateus 25, foi escolhido um novo nome, mas com o mesmo significado: Foste Visitar-me, Associação de Visitadores de Reclusos, denominação esta que foi aprovada em 22 de Junho de 2006

Em Setembro, foi aprovado pelo Registo Nacional de Pessoas Colectivas o nome da associação e obtido o número de identificação de pessoa colectiva 507 789 741
     
2007   Realizou-se a primeira reunião anual de Soutelo – reunião de um dia inteiro, com todos os visitadores da Foste Visitar-me e um convidado externo, onde é apresentado e reflectido um tema que nos ajude na nossa actividade de visitador

Em 12 de Março de 2007 foi atribuída, pela Bispo de Porto, à Foste Visitar-me, Associação de Visitadores de Recluso, a erecção canónica

Em Outubro, a Direcção inicialmente designada renunciou, por motivos de saúde de um dos elementos e nomeação de uma nova direcção interina

- O estatuto de Instituição de Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), cujo pedido havia sido efectuado, foi recusado pela Segurança Social em virtude de se tratar de associação só de voluntários, sem bens nem estrutura, pelo que não cumpria as exigências legais.
     
2008   A nova direcção interina, com a ajuda inestimável do Dr. Francisco Sousa Guedes e do Dr. João Soares Franco, levou a cabo o processo de legalização da associação com a elaboração dos novos estatutos,

Realizou-se a segunda reunião anual de Soutelo onde foram discutidas e aprovadas as bases da Carta do Visitador, posteriormente redigida pelo Padre António Júlio Trigueiros
     
2009   Em Fevereiro realizou-se a primeira Assembleia Geral com a formalização da nomeação dos corpos sociais, até aqui, interinos.

No dia 3 de Abril, morreu o Carlos Coelho; os membros da Foste Visitar-me sentiram muito a sua falta porque além de fundador, sempre foi e continua a ser o inspirador de toda a nossa actividade.

Aprovação eclesiástica dos novos estatutos em 21de Junho de 2009

Em Outubro a Foste Visitar-me organizou a conferência “Da Utopia à Realidade”, onde Valdeci António Ferreira, que veio do Brasil até ao Porto para falar das APAC, apresentou o projecto das cadeias sem guardas. A repercussão desta conferência na comunicação social fez com que a Foste Visitar-me ganhasse uma maior notoriedade
     
2009 até ao presente

A Foste Visitar-me tem mantido a sua actividade regular com visitas semanais aos estabelecimentos prisionais, realização de reuniões de formação para os visitadores, reunião anual de reflexão, colaboração com os estabelecimentos prisionais na realização de diversos projectos etc.
Uma Amizade com Sentido…

 

 Hoje apaguei o número do Carlos Coelho do meu telemóvel.

Já me habituei á nossa nova forma de conversar …

Tenho saudades do Amigo na sua condição anterior…é bom ter saudades… é sinal de que vivemos bons momentos juntos.

Olho para traz e relembro…

Comecei a conhecer o Carlos em Julho 2000, tinha então terminado os meus primeiros EE de 7 dias…

E o desafio tinha surgido durante os EE… o desafio de intervenção na nossa Sociedade através de acções de Voluntariado…

O SER do CREU e o Pe. Gonçalo Eiró, conduziram-me ao Carlos…

O Carlos tinha então acabado de se mudar para o Porto, e vivia a sua Vida normal, sendo Voluntário no Estabelecimento Prisional  de Santa Cruz do Bispo, e na APPACDM… era o tempo da sua Vida Oculta, como gostava de  afirmar…

Esperava então…sem desesperar, com muita fé e oração, e esperou… quatro anos até começar a nascer o Grupo de Voluntários com a filosofia que tanto desejava.

Contava-me recentemente que depois da nossa primeira conversa se questionava: Será que é desta que se iniciava o seu sonho? Iria terminar a provação da sua Vida Oculta?

 Em Outubro de 2000, terminadas a época das vindimas, voltei ao seu contacto…e com Ele comecei a visitar Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo e a conhecer o Amigo…

Com o Carlos apreendi a SER Voluntário, ao abrigo de Mateus 25….

Impressionou-me sempre a sua Fé, e sobretudo a Caridade que punha em todas as suas relações.

-Uma Fé de Rocha… referia-me muitas vezes sentir como S. Paulo: ”Quem, e o que nos poderá separar do Amor de Cristo?” (Carta de S. Paulo aos Romanos 8,35)

-Um pé firme nas Bem Aventuranças… vivendo o sentido de ”Felizes os pobres de espírito…. e os puros  de coração….”( S. Mateus, 5, 5-8)

-Um modo de proceder coerente….levar a Esperança do Amor de DEUS aos abandonados, aos que não entusiasmavam ninguém, aqueles que não suscitavam qualquer interessa social….

Com o Carlos aprendi um pouco “a estar e a SER” num dos meios Sociais mais difíceis…que desconhecia existir até então, …e com os meus 45 anos a comprometer-me com a Sociedade…por viver nestas relações o que temos de mais essencial: a nossa Humanidade.

“Não basta criticar…é preciso “implicar-nos” para que o Mundo seja diferente, dizia-me insistentemente!”

Pensamento que se encontrava com outro que me movimenta desde há muito:”Não podemos mudar o Mundo mas podemos ajudar o Mundo a mudar…”

O Carlos era também um Homem de forte Esperança… para tudo encontrava frutos visíveis nas relações com os mais pobres, …um cumprimento, o ouvir, o libertar, o dignificar, o denunciar, a diferença…e nós aprendíamos!

Em tudo aplicava a Verdade, uma grande Humildade.

E veio a crescer o Grupo que idealizou, a diversificar-se para outros Estabelecimentos Prisionais, e a criação da Associação com que tanto sonhou… que veio a originar a Foste Visitar-me!

E um dia na nossa Reunião Anual em Soutelo confessava em público ter visto então cumprida a sua Missão, a Missão que tanto tinha desejado na sua Vida Oculta”: A pedido do Provincial da Província Portuguesa da Companhia de Jesus, o Bispo do Porto aprovava em 12 de Março de 2007 a criação da “Foste Visitar-me”, e, por decreto Episcopal,  enviava esta nossa nova Associação em Missão aos Estabelecimentos Prisionais do Porto.

A obra era de DEUS e portanto vincava!

O Carlos sorria e agradecia a …DEUS! Era um Homem feliz ao ver realizado um grande sonho!

Com o Carlos aprendi neste processo de criação e desenvolvimento da “Foste Visitar-me” a começar a desenvolver o SER voluntário…a comprometer-me de forma diferente com as necessidades sociais, a ser Amigo, a ser mais crente…a ser mais Homem!

Mas o Carlos também era um bom Amigo, meu e…de minha casa, da minha família.

Dele recebi tudo o que se espera de um Amigo!

O passado de cada um nunca nos preocupou, nem nunca nos  ocupou qualquer tempo quando estávamos juntos. Assumimos tudo o que tínhamos sido, mas o que nos preocupava e entusiasmava era o presente e principalmente o futuro!

E tivemos muitos e longas conversas…horas e horas, sobre muitos temas!

E com Ele fiz novas amizades, diferentes e por vezes onde pouco esperava….e vim a conhecer pessoas fantásticas de quem sou hoje amigo…tudo de bem melhor em…. Melhor…, tão Inaciano!

E agora são “os frutos” desta amizade, que me falam por Ele.

Do Carlos, e da Sua Vida, muitos fomos os que recebemos muitas Graças: Reclusos, Guardas Prisionais, Visitadores, e muitos Amigos, felizmente, em inúmeros Grupos de Pessoas Boas.

E eu, em particular, …. a nossa Amizade tem Sentido. Por isso também dou Graças ao Senhor!

 

É mesmo bom recordar, e ter a certeza que o Carlos continua a ser meu Amigo…talvez ainda mais agora, por ser de outra forma, com outra condição, com aquela a que todos mais ambicionamos…

E por fim as palavras do Padre Vasco na Sua Missa… “ quando um dos nossos vai para o lado de DEUS, todos nós ficamos também mais perto de DEUS ” .

Mais perto do Bem…da Eternidade …do Princípio e Fundamento!

E eu a sentir bem esta verdade, porque com o Carlos e a nossa amizade, aproximei-me mais de DEUS!

Mudou agora a natureza do nosso relacionamento...Continuamos a ter longas conversas, mas já não preciso do telemóvel…!

É mesmo Uma amizade com sentido….Já é de velhos amigos…!

Porto, 13 de Maio de 2009

 

José Maria Soares Franco

 

A Foste Visitar-me, Associação de Visitadores de Reclusos, é uma associação católica, ligada à Companhia de Jesus e legalmente constituída desde 2007. Surgiu porque um conjunto de pessoas, que já visitavam reclusos, sentiu que a sua actuação e o seu diálogo com as instituições seria muito mais eficaz se fosse representado por uma Associação legalmente constituída.

Somos, neste momento, 25 visitadores efectivos e visitamos, semanalmente, reclusos em três cadeias do distrito do Porto: Sta Cruz do Bispo (homens), Sta Cruz do Bispo (mulheres) e o Estabelecimento Prisional do Porto em Custoias

O objectivo principal da Foste Visitar-me é apoiar os reclusos sem os julgar nem os recriminar. Os visitadores partilham com eles o seu tempo com o propósito de os fazer sentir que têm uns amigos com quem podem contar para os ajudar, neste período duro da sua vida, a encontrar um sentido para a reclusão e, se possível, um novo projeto de vida.
História da FV
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